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Kazuo Ohno

matéria extraída do site do correio brasiliense Publicação: 02/06/2010 09:47

Morre Kazuo Ohno, dançarino, aos 103 anos

Marina Severino

Ricardo Daehn

Criador do butô, artista visitou o Brasil três vezes
O consagrado dançarino e coreógrafo japonês Kazuo Ohno morreu às 4h de hoje (16h de ontem em Brasília), vítima de insuficiência respiratória, no hospital de Yokohama, no Japão. Aos 103 anos, Ohno era o mais velho representante do estilo butô, que criou ao lado de Tatsumi Hijikata, morto em 1986. Alinhado ao teatro físico, o estilo influenciou a dança contemporânea em diversos países e chocou valores japoneses, abordando temas como morte, sexualidade e violência. Nascido em Hokkaido, filho de pai pescador e de mãe instrumentista, o dançarino apresentou o estilo ao público japonês em 1959, com ações performáticas em bares e cabarés do submundo de Tóquio. Por seu caráter marginal, a dança foi batizada de dança das trevas (Ankoku Butoh).

Kazuo sempre se apresentava vestindo trajes femininos e com o rosto pintado de branco. As mãos e pés, expressivos, dialogavam com o corpo em movimentos espasmódicos. “Assisti a La argentina e Mar morto, a gente aprende muito e absorve influências de uma arte que, dizem, foi muito marcada pelo expressionismo alemão”, comenta a coreógrafa Lenora Lobo, diretora da Cia Alaya Dança.

O coreógrafo veio três vezes ao Brasil — em 1986, 1992 e 1997. Na primeira, Ohno visitou o país a convite do diretor Antunes Filho. “Ele foi fundamental na dança contemporânea e nas artes cênicas, trouxe para o Ocidente uma linguagem e uma técnica antes desconhecidas por nós. Foi uma revolução em relação ao que nós tínhamos como referência”, diz a encenadora, atriz e coreógrafa Maura Baiocchi, que conheceu Ohno na Universidade de Brasília em 1986 e foi uma das pioneiras na introdução do butô no país.

De acordo com o diretor do Festival Internacional Londrina (Filo), Luiz Bertipaglia, o coreógrafo foi a atração mais importante recebida pelo evento em seus 42 anos. “Assisti a dois espetáculos dele, o mais comovente foi Lírio D’água. Lembro do com profunda gratidão. Nele, além do carisma, pesou a vitalidade de alguém com mais de 90 anos. É algo tão emocionante, que se torna difícil de ser explicado em palavras”, recorda. “Independente da influência direta, houve uma geração de artistas que tiveram o reforço no respeito ao palco, uma qualidade que ele ajudou a projetar”, conclui o dramaturgo Fernando Guimarães. A longevidade da obra é destacada pela coreógrafa Yara de Cunto. “A influência dele ultrapassa a questão do tempo: trata-se de um modelo, a serviço da continuidade.”

Colaborou Adair de Oliveira

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